Categoria:Copa Libertadores da América 1997

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A Copa Libertadores da América 1997 foi a 38ª edição do principal torneio da América do Sul, realizado pela CONMEBOL. Esta foi a 6ª participação do Cruzeiro na Libertadores e a 2ª conquista celeste do torneio.

Adversários

Fase de Grupos - Grupo 4
Oitava-de-final
Quartas-de-final
Semi-final
Final

Geral

Mando de Campo Jogos Pts Aprov. em pts Vitórias (aprov.) Empates Derrotas Gols
Feitos
Gols
Sofridos
Saldo de
Gols
Média de
gols
Média de
gols sofridos

Geral 14 22 52,38% 7
(50,00%)
1 6 15 12 3 1,07 0,86
Mandante 7 18 85,71% 6
(85,71%)
0 1 11 4 7 1,57 0,57
Visitante 7 4 19,05% 1
(14,29%)
1 5 4 8 -4 0,57 1,14

Como foi

O Cruzeiro já chegou a disputa da Copa Libertadores da América 1997 de maneira surpreendente. Classificou-se para o Torneio Sulamericano como campeão da Copa do Brasil 1996, ao derrotar o favoritismo do Palmeiras, em pleno estádio Parque Antártica. Os paulistas, na ocasião, eram patrocinados por uma multinacional italiana e reunia um plantel de jogadores galáticos que eram considerados imbatíveis em seus domínios.

A base do time campeão da Copa do Brasil 1996 foi mantida e a diretoria cruzeirense trouxe apenas três reforços para o plantel. O atacante Reinaldo, que estava no futebol italiano, foi repatriado. O meia Elivélton veio do Palmeiras, após o clube estrelado ganhar a disputa nos bastidores contra o rival Atlético-MG. Por último, a diretoria estrelada investiu pesado para tirar o atacante Alex Mineiro do América-MG por R$ 1,2 milhões. A negociação foi a maior entre clubes mineiros, na ocasião, e superou a compra do volante Gutemberg, que também era do Coelho, e que custou R$ 1 milhão aos cofres atleticanos.

O treinador Levir Culpi havia acertado a sua transferência para o futebol japonês e a diretoria cruzeirense resolveu investir na renovação. O maior ídolo da história do clube, o craque Tostão, que nunca havia tido experiência no comando de uma equipe foi convidado a iniciar a carreira de técnico. Tostão recusou, mas o ex-zagueiro da Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 1982, Oscar Bernardi, que também nunca havia treinado nenhuma equipe, foi a próxima aposta. Oscar encarou o desafio.

No entanto a experiência com o novo treinador terminou na estreia da equipe na Taça. O primeiro adversário do Grupo 4 foi o Grêmio, que era o atual campeão brasileiro. Os tricolores venceram por 2 a 1, no Mineirão e, após o jogo, Oscar Bernardi, que nem havia completado dois meses no cargo pediu demissão. O treinador alegou que as críticas internas ao seu trabalho o fizeram tomar a decisão. A diretoria agiu rápido e repatriou o técnico Paulo Autuori, que estava no Benfica, de Portugal.

Sob novo comando, o time não se encontrou e sofreu mais duas derrotas pelo placar de 1 a 0. A primeira foi para o Alianza, em Lima, no Peru, com um gol do atacante Waldir Sáenz, que se tornaria o maior goleador da história do clube aliancista. O outro revés do Cruzeiro foi para o Sporting Cristal, também, em Lima. Os resultados deixaram o Cruzeiro na lanterna do grupo quatro.

O início desastroso fez com que os analistas de futebol consumassem de forma antecipada a eliminação precoce do Cruzeiro na Taça. Isto porque a equipe estrelada teria que derrotar o Grêmio, que atravessava uma grande fase, em pleno estádio Olímpico, onde o Cruzeiro havia enfrentado o tricolor em outras 14 oportunidades e nunca havia vencido. E foi justamente no estádio gremista, que o Cruzeiro deu início a sua reação monumental e uma das campanhas mais épicas de sua história. Um gol relâmpago antes da primeira volta do ponteiro, no segundo tempo, deu a vitória suada de 1 a 0 ao Cruzeiro e pôs fim ao tabu. O meia Elivélton passou pela marcação da dupla da seleção paraguaia, o lateral Arce e o zagueiro Rivarola e, da linha de fundo, cruzou para a pequena área. O meia Palhinha mergulhou, de peixinho, e mandou para as redes.

No penúltimo compromisso da primeira fase, o Cruzeiro derrotou o Alianza Lima, no Mineirão, por 2 a 0, e deixou a lanterna do grupo 4 para os peruanos. O trágico acidente aéreo que vitimou todo o plantel e a comissão técnica do clube aliancista completava 10 anos naquela Libertadores. Após a Taça, o Alianza venceria o título peruano, após 18 anos de sua última conquista, ressurgindo como o time mais vencedor do futebol daquele país.

Na última rodada o Cruzeiro passou pelo Sporting Cristal, no Mineirão, com uma vitória por 2 a 1 e garantiu a segunda colocação do grupo e a classificação para as oitavas de final.

O primeiro adversário da fase dos mata-matas foi o El Nacional, que naquele ano, ainda era restrito as forças armadas do Equador. Na altitude de Guaiaquil o Cruzeiro saiu derrotado por 1 a 0. Naquele jogo, o time estrelado estreou os novos reforços: o atacante Marcelo Ramos, que foi um dos heróis da conquista da Copa do Brasil 1996 e que estava no PSV da Holanda e o zagueiro Gottardo, que veio do Fluminense para assumir a faixa de capitão do time.

No jogo da volta, no Mineirão, o Cruzeiro suou para fazer o placar de 2 a 0, com um gol de Marcelo Ramos, aos 24 minutos do segundo tempo. Quando todos acreditavam que a classificação estava consumada, o El Nacional conquistou um gol de falta no último instante da partida e a vaga ficou para ser decidida na disputa de tiros livres. E foi a partir daí que o goleiro Dida começou a se consagrar como um dos heróis da conquista. Na disputa por tiros livres, o camisa um defendeu a cobrança de Kleber Chalá e garantiu a vitória por 5 a 3 e a classificação.

Nas quartas de final, o Cruzeiro enfrentou, novamente, o Grêmio. A primeira partida foi no Mineirão e o Cruzeiro saiu na frente, logo aos 40 segundos de jogo, com um gol de Elivélton. Alex Mineiro ampliou ainda no primeiro tempo e o jogo terminou em 2 a 0 para o time estrelado. O jogo teve como destaque as trocas de agressões e provocações do lateral esquerdo Roger, do Grêmio e do meia, Cleison, do Cruzeiro.

No jogo da volta, no Olímpico, o Cruzeiro anulou a reação do Grêmio e aos 15, do segundo tempo, num lançamento de Alex, o volante Fabinho, mesmo lesionado e mancando, matou a bola no peito e sem deixá-la cair, completou para as redes: um golaço. Com o gol, que aumentou o placar agregado em 3 a 0, a classificação cruzeirense parecia garantida, mas como foi toda a trajetória do time cruzeirense naquela Libertadores, o jogo ainda reservaria seus requintes de dramaticidade em sua meia hora final. O Grêmio reencontrou forças e virou o jogo para 2 a 1, aos 27 minutos e por pouco não marcou o terceiro gol, que levaria a decisão para as penalidades, no último minuto, numa cabeçada do zagueiro Mauro Galvão, que raspou a trave.

O adversário da semifinal foi o Colo-Colo, que havia conquistado o 20º título chileno de sua história. No primeiro jogo, no Mineirão, o Cruzeiro venceu por 1 a 0, com um gol de Marcelo Ramos, logo aos 6 minutos, que começou numa falha do goleiro Marcelo Ramírez, que saiu fora da área e acabou desarmado pelo meia Cleison, que lhe tomou a bola e cruzou para o atacante completar de cabeça tendo o gol vazio a sua frente. Ramírez foi goleiro que, na decisão da Recopa 1992, contra o Cruzeiro, substituiu o goleiraço Daniel Morón e deu o título do troféu aos caciques na decisão por pênaltis.

O jogo da volta teve os 90 minutos mais dramáticos de toda a campanha cruzeirense. Os chilenos viviam uma grande fase e consideravam o jogo, em Santiago, como a final antecipada. O Colo-Colo abriu a vantagem de 3 a 1 no segundo tempo. No entanto, o Cruzeiro reencontrou forças e diminuiu o marcador, aos 18 minutos, quando o meia Cleison apanhou, de carrinho, um rebote do goleiro Ramírez, após uma cobrança de falta de Marcelo Ramos. A derrota por 3 a 2 provocou a decisão por tiros livres, que foi a mais tranquila da história do clube, graças a eficiência do goleirão Dida, que defendeu as cobranças de Basay e Espina. O Cruzeiro venceu por 4 a 1 e foi para a final.

Com a classificação garantida no Chile, o Cruzeiro chegava a uma final de Libertadores, após 20 anos, quando perdeu o título na decisão por tiros livres para o Boca Juniors, da Argentina, após um empate sem gols na terceira partida, disputada em campo neutro, em Montevidéu, no Uruguai.

O encontro decisivo da Copa Libertadores da América 1997 reuniu os dois times mais surpreendentes da competição. O Sporting Cristal, que se classificou como terceiro colocado do Grupo 4, da primeira fase, tornou-se a grande zebra da Copa. Os cervezeros eliminaram os argentinos Vélez Sarsfield, nas oitavas de final, e o Racing, na semifinal, vencendo ambos dentro de Buenos Aires. Por outro lado, o Cruzeiro chegava a uma decisão com uma das campanhas mais irregulares da história da Taça, com um total de seis derrotas. Nunca um finalista havia perdido tantos jogos.

A base do time peruano jogava junto desde 1994 e eram os atuais tricampeões peruanos. Até os dias atuais o time de 1997 é considerado como o melhor da história do Cristal e a maioria dos jogadores que formaram aquele plantel estão na galeria dos maiores ídolos do clube cervezero.

O primeiro jogo da decisão aconteceu em Lima, no Peru, onde o Sporting Cristal não sofria uma derrota há quatro anos pela Libertadores. A partida foi marcada pelo equilíbrio e a forte marcação imprimida pelas equipes. Com poucas chances de gol, o jogo terminou com o placar zerado.

No jogo da volta, mais de 100 mil cruzeirenses lotaram o Mineirão com a confiança de que o time venceria facilmente os peruanos. A partida marcou as despedidas do treinador Paulo Autuori que entregou o cargo por causa das mesmas pressões internas que derrubaram o seu antecessor Oscar. Foi também a última partida do armador Palhinha, que havia sido negociado ao futebol espanhol.

Apesar da pouca tradição do adversário, o Cruzeiro quase foi surpreendido. Aos 20 minutos do segundo tempo Donizete comete falta em Alfredo Carmona na intermediária. Na cobrança forte e rasteira de Nolberto Solano, Dida foi no canto esquerdo e fez a defesa, Julinho entrou rápido na área e apanhou o rebote com um chute cruzado, mas Dida defendeu com o pé direito.

Dez minutos após o susto, o Cruzeiro chegou ao gol da vitória. E foi com um tento surpreendente, como foi a característica de toda a campanha do título. Numa cobrança de escanteio de Nonato, a defesa do Cristal rebateu para fora da área. O canhoto Elivélton, que foi escalado na vaga de Cleison, que havia sido expulso no primeiro jogo da decisão, apanhou o rebote, de pé direito e o goleiro Julio Cesar Balerio aceitou. A bola passou por baixo do corpo do camisa 1 e entrou no canto direito. Foi o único gol do Cruzeiro marcado num chute de fora da área em toda a campanha.

Após a partida, as ruas da capital e das cidades do interior foram tomadas pelos cruzeirenses que comemoraram um título dado como perdido e que entrou para a história das conquistas surpreendentes do clube estrelado.[1]

Vídeos

Gols da campanha
Documentário da conquista

Referências

  1. Blog Alamanaque do Cruzeiro