Marcelo Silva Ramos

De CruzeiroPédia .:. A História do Cruzeiro Esporte Clube
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Marcelo Ramos
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Informações pessoais
Nome completo Marcelo Silva Ramos
Data de nasc. 25 de junho de 1973
Local de nasc. Salvador, Brasil
Peso 72kg
destro
Apelido Flecha Azul
Número 9
Posição Atacante
Jogos 360
Gols 162



Marcelo Ramos é o 20° jogador que mais vestiu a camisa do Cruzeiro, foram 360 jogos. E é o 6° maior artilheiro da história do clube e faz parte do Hall da fama do Cruzeiro.

Pétição

Em 2012 foi criado uma petição [1] para encorajar a diretoria do Cruzeiro a fazer o jogo de despedida do jogador que tem marcas significativas pelo clube.

Entrevista ao site Guerreiro dos Gramados

Entrevistas

Globoesportes 20 anoo título da Copa do Brasil 1996

GloboEsporte.com - A conquista do título da Copa do Brasil de 1996 completa 20 anos no próximo domingo. Foi um título muito marcante para o Cruzeiro, para a torcida e para vocês jogadores. O que este título representa pra você, mesmo passados 20 anos?

O título de 1996 representa muito na vida. Todos sabem das dificuldades que a gente teve pra conquistar esse título. Pela situação que foi, o Palmeiras com aquele time. Toda a mídia, principalmente a de São Paulo, dando o time deles como campeão. Isso acabou ficando marcado pro torcedor cruzeirense. A gente empatou no Mineirão e, no segundo jogo, eles, com cinco minutos fazem 1 a 0. Realmente, foi um título que muita gente, a grande maioria, não esperava. Foi como eu falei. Da forma que foi, acabou sendo muito significante na história do clube. Pra mim, principalmente, porque eu fiz o gol do título. Claro que a Libertadores é o título mais importante da história do clube, mas essa Copa do Brasil, das que o Cruzeiro conquistou, foi a mais marcante para o torcedor. A gente deve receber muitas mensagens e homenagens do torcedor. A lembrança que eu tenho é da gente chegando na Pampulha. O aeroporto lotado, nós no carro de bombeiros, desfilando pela cidade. Foi muito marcante. Foi o título mais marcante pra mim, não só porque fiz o gol, mas da forma que foi.

O fato de chegar em São Paulo com praticamente o Brasil inteiro acreditando que era um jogo só pra cumprir tabela porque o título já era do Palmeiras deu uma motivação a mais para o time?

Sem dúvida nenhuma! A gente acreditava muito no time que a gente tinha. Tínhamos eliminado grandes clubes, como Corinthians, Vasco e Flamengo. Então, a gente acreditava que tudo poderia acontecer. Nós respeitávamos muito o time deles, que tinha grandes jogadores, de seleção. Mas, nosso time era muito forte, muito fechado. O Levir conseguiu juntar todo mundo. Jogadores que não tinham oportunidades não ficavam insatisfeitos. O grupo realmente estava fechado. Acabou que a gente acreditava. A gente sabia que era muito difícil, principalmente pelo primeiro jogo. A gente queria ter feito o placar, vencer por pelo menos 1 a 0 e não tomar gol em casa, mas, infelizmente, isso não aconteceu, a gente empatou. Mas, mesmo assim, ele conversou muito com a gente. Tinham jogadores experientes, como Nonato e Palhinha, que orientavam muito o time. Os jogadores mais jovens também estavam acostumados com decisões. Eu ia completar 23 anos. Vítor e Dida também eram novos. Apesar da idade, jogadores acostumados com decisões. O jogo foi muito difícil, foi muito sufoco. Dida estava numa noite inspirada. Nas duas oportunidades que a gente teve, a gente foi decisivo. Eles erraram, mas a gente conseguiu fazer os gols. Eu acho que o título foi merecido.

O Cruzeiro demorou a entrar no jogo. Tomou o gol com 5 minutos e custou a colocar os nervos no lugar. Você chegou a pensar no pior, que o Cruzeiro tomaria mais gols e perderia o título, pelo que aconteceu no começo do jogo?

Na verdade, a gente mostrou nossa força e muita tranquilidade. Foi como eu falei. Jogadores experientes chamaram o time pra manter a calma e não levar o segundo gol porque ia complicar muito mais. O Palhinha conversava, o Nonato, o Célio Lúcio, que também era um cara experiente, pediu pra gente segurar a bola no ataque para diminuir a pressão. Quando a gente empatou, acalmou. Era muito sufoco, o estádio estava lotado. A maioria dos torcedores era deles. A sorte foi que a gente não levou o segundo gol. Empatamos e quando voltamos para o segundo tempo, estávamos no jogo, levando a decisão para os pênaltis. Eles tinham muita qualidade. Nós fizemos toda a marcação que tinha que ser feita, mas ainda assim, eles conseguiram criar muitas situações. Dida estava numa noite muita inspirada, defendendo tudo. A gente ia lá e dava uma beliscada no ataque. Palhinha teve chance, eu também tive outra. E aí no lance decisivo, passa um filme na cabeça. Quando a gente fez o gol, viu que não tinha mais jeito, eles desmoronaram. Não tinha mais como eles reverterem o placar.

Na campanha do título, houve duas goleadas marcantes, um 6 a 2 sobre o Vasco e um 4 a 0 sobre o Corinthians. Isso também foi um fator para o grupo acreditar mais em si mesmo na final?

Sem dúvida, a gente acreditava muito. Corinthians e Vasco eram fortes candidatos ao título também. Ganhar do Vasco de 6 a 2 no Rio realmente mostrou a força do grupo. O Corinthians tinha um timaço e a gente fez 4 a 0 no Independência. A gente sabia da nossa qualidade técnica. O Palmeiras tinha um time com jogadores de seleção e fez mais de 100 gols no Campeonato Paulista, e foi criada toda esta expectativa. Ficou uma prova de que o futebol é decidido dentro de campo, você não pode cantar vitória antes. Eu tenho certeza que essa Copa do Brasil foi uma prova disso e um título muito marcante.

Vocês fizeram uma foto para o jornal Estado de Minas, na véspera do jogo, em uma mesa, com uma leitoa assada (o porco é um dos mascotes do Palmeiras). O que rendeu daquele episódio? Algum jogador do Palmeiras chegou a reclamar com vocês?

Na verdade, foi uma inocência muito grande da nossa parte. A gente foi muito infeliz, mas sem maldade. Não era nossa intenção criar nenhum tipo de rivalidade, até porque a gente sabia quanto o jogo ia ser difícil. O Levir chamou a gente e deu uma bronca, no estilo dele, e com razão. A gente acabou atiçando ainda mais o adversário, mas em nenhum momento, os jogadores deles, dentro de campo, falaram alguma coisa pra gente. Eles tinham muita confiança no título. Foi uma atitude infantil, mas sem intenção de provocar. Serviu de lição. Graças a Deus, a gente venceu o título, mas se tivesse perdido, a responsabilidade ia ser muito grande em cima da gente.

Você ainda lembra da exata sensação que teve logo após marcar o segundo gol?

Eu me lembro de tudo. De toda a jogada. Eu recebi a bola no meio-campo. Eu já estava muito cansado. Apesar de ser novo, ter apenas 22 anos, o jogo foi muito desgastante. A parte psicológica também estava muito puxada pra gente. A gente estava sem pernas. Eu toquei a bola pro Roberto e fiquei na dúvida se ia para o ataque. Eu estava pensando mais em defender e levar o jogo para os pênaltis do que tentar fazer outro gol, porque a gente estava tendo poucas chances. Eu decidi ir para a área. Dei um pique de 40, 50 metros. Quando o Velloso largou a bola, eu já estava sem força. Foi meu último respiro. Quando eu vi a bola entrando, senti uma emoção que não tem explicação. Naquele momento eu estava dando alegria para milhões de cruzeirenses. Quando a bola entra, é uma alegra só. Eles não tinham mais como reverter, tinham que fazer dois gols em oito minutos. A gente se fechou e esperou o juiz apitar pra comemorar o título. Eu fiz 162 gols pelo Cruzeiro, mas só recebo ligações pra falar deste gol. Da forma que foi toda a história da Copa do Brasil, os cruzeirenses me contam muitas histórias, que não esperavam a vitória, mas que fizeram muita festa com esse gol. Eu me sinto muito honrado por ter dado essa alegria ao torcedor.

Esse gol valeu ao Cruzeiro o direito de disputar a Libertadores de 1997. Nesse meio tempo, você foi pra Holanda e voltou na reta final da competição, da qual também foi um dos heróis. Como você se sente ao personagem importante da maior conquista da história do clube?

Eu fico muito feliz. Logo depois da decisão da Copa do Brasil, eu comemorei meu aniversário de 23 anos. No início de julho, recebi uma ligação do meu empresário dizendo que eu ia jogar na Europa. Foi uma alegria, porque era um sonho, mas foi difícil também sair do Cruzeiro. Mas, como profissional, eu precisava jogar num time de fora. Eu joguei uma temporada no PSV da Holanda e recebi o convite pra voltar ao Cruzeiro e jogar a Libertadores. Não pensei duas vezes. Sabia da dificuldade que o time na primeira fase. Eu consegui ser decisivo na Libertadores. Agradeço muito a Deus por ainda ter me dado esse título. Estava marcado já pra eu entrar na história do clube. Não foi fácil retornar, porque todo jogador quer ficar na Europa muito tempo. O Cruzeiro era o meu lugar e consegui escrever toda essa história dentro do clube.

O que significa ser ídolo do Cruzeiro e receber tanto carinho da torcida mesmo depois de tantos anos após ter aposentado?

É uma emoção que não tem explicação. Quando vou a Belo Horizonte, sempre sou muito entrevistado e procurado. Muitos torcedores jovens falam comigo e dizem que ouviram muitas histórias contadas pelos pais. É uma sensação de dever cumprido. Quando chego em BH é uma loucura, uma grande alegria. São 20 anos desse título e as pessoas ainda lembram. Espero que o clube faça alguma homenagem porque a gente merece essa lembrança. É muita felicidade saber que consegui dar essa alegria à torcida do Cruzeiro.

A turma campeã em 1996 era muito unida. Mesmo depois de 20 anos, vocês ainda mantêm contato?

A gente tem um grupo no WhatsApp e vai se comunicando. Eu sempre vejo o Nonato, a gente sempre se encontra. Ele gosta de reunir a rapaziada, era nosso capitão. Falo muito com o Dida, o Vítor e com o Gélson Baresi, principalmente. Se o Cruzeiro pudesse reunir todo mundo num jogo festivo e fazer uma homenagem seria muito legal.[2]

Vídeos

Entrevista com Geral Celeste

Títulos

Referências

  1. Link da petição
  2. Especial 96: Marcelo Ramos celebra gol do título "mais marcante" do clube