Eduardo Gonçalves Andrade

De CruzeiroPédia .:. A História do Cruzeiro Esporte Clube
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Tostão
Tostao beija taca 1966.jpg
Informações pessoais
Nome completo Eduardo Gonçalves Andrade
Data de nasc. 25 de janeiro de 1947
Local de nasc. Belo Horizonte, MG, Brasil
Altura 1,72 m
Número 10
Jogos 383
Gols 245


Nota: Este artigo é sobre o jogador dos anos 60 e 70. Para o seu xará que jogou nos anos 80, veja: Tostão II


Eduardo Gonçalves de Andrade, mais conhecido como Tostão, é um ex-jogador que fez história no Cruzeiro e é considerado como um dos maiores do Clube. Ele vestiu a camisa celeste entre 1964 e 1972 e é o maior artilheiro da história do Clube: ele fez 245 gols em 383 jogos.

Tostão foi a estrela maior do time campeão brasileiro de 1966 e conquistou seis Campeonatos Mineiro pelo Clube. Foi o primeiro jogador de Minas Gerais a ser convocado para uma Copa do Mundo, em 1966, e também foi titular absoluto do time tricampeão mundial de 1970, formando trio ofensivo com Pelé e Jairzinho. Pela Seleção Brasileira, Tostão marcou 36 gols em 59 partidas, como jogador do Cruzeiro. É o maior artilheiro do Clube na Seleção Brasileira.

História

Tostão iniciou sua carreira no futebol de salão do Cruzeiro em 1961. Em 1962, com 15 anos e ainda no Cruzeiro, Tostão foi para a equipe júnior de futebol de campo. No mesmo ano, o América-MG contratou o jogador, que jogou apenas um ano no clube do coração dos seus pais. Em 1963, Tostão voltou ao Cruzeiro, clube que o projetou para o Brasil e o mundo. O então diretor Felício Brandi chegou atrasado mais de uma hora ao próprio casamento só para concluir a contratação de Tostão. Daí engrenou na carreira formando o famoso tripé com Piazza e Dirceu Lopes.

Com Dirceu Lopes, formou uma das duplas de maior talento no futebol brasileiro de todos os tempos. Em 1966, o Cruzeiro bateu o Santos Futebol Clube, bicampeão da Copa Libertadores e do Mundo (1962/1963) e então pentacampeão da Taça Brasil, que contava com nada mais nada menos do que Pelé, Pepe, Gilmar, Coutinho e outros grandes jogadores. O Cruzeiro era um time de garotos, que além de Tostão tinha Dirceu Lopes, Piazza, Raul Plassman, Natal, entre outros.

No ano de 1969, ano em que se tornou titular na Seleção Brasileira, o time verde-amarelo fez um amistoso com o Millonarios , time colombiano, em Bogotá, preparando-se para enfrentar a Colômbia pelas eliminatórias da Copa do Mundo poucos dias depois. Era o dia 1º de agosto. Tostão, um dos maiores craques que o futebol mundial conheceu, domina a bola, mas não consegue evitar o choque com o zagueiro Castaños e machuca o olho esquerdo.

Tostão recebendo prêmio

Em 24 de setembro de 1969, outro lance viria a dividir a carreira de Tostão. Jogavam Corinthians e Cruzeiro, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, no Pacaembu, à noite. Tostão recebe o impacto de uma bola chutada pelo zagueiro Ditão de raspão no mesmo olho esquerdo e sofre descolamento de retina. A torcida brasileira acompanha o drama de um craque genial, às vésperas do Mundial do México 1970.

Em 2 de outubro de 1969, Tostão é submetido a uma cirurgia em Houston, nos Estados Unidos. Todos torciam para a recuperação do jovem de 22 anos, inteligente, culto, leitor de autores incomuns aos seus companheiros de profissão, ligado nos acontecimentos do mundo, preocupado com as injustiças sociais, defensor da liberdade e da democracia, temas pouco afetos ao universo do futebol.

O técnico João Saldanha caiu na seleção e deu o lugar a Zagallo. Este não acreditava na recuperação do craque mineiro, que só foi liberado para voltar às atividades a três meses da Copa. Mas, não se sabe se por intuição, pela velha estrela, por superstição, o fato é que Zagallo deu todas as chances a Tostão, que foi considerado pela imprensa internacional como o craque do mundial.

Em 1970, o atleta foi homenageado em um filme longa-metragem dirigido por Ricardo Gomes Leite e Paulo Laender, com trilha sonora de Milton Nascimento e Fernando Brant. Em dado momento do documentário "Tostão, a Fera de Ouro", torcedores cariocas no Maracanã são entrevistados e dizem que Tostão, embora mais jovem, já se comparava a Pelé.

O artilheiro deixou o Cruzeiro com apenas 25 anos, em 1972. A transferência para o Vasco foi a maior transação envolvendo clubes brasileiros até aquela época. O deslocamento na retina e o risco de perder a visão fizeram Tostão encerrar a carreira prematuramente, com 26 anos recém-completados – a despedida do craque foi em fevereiro de 1973.


Matéria na Revista do Esporte

O ano de 1966 foi mesmo de Tostão. E do Cruzeiro, por consequência. Pois até a “carioquíssima” Revista do Esporte, na época destinada essencialmente ao futebol carioca e paulista, se rendeu à encantadora bola jogada pela principal estrela da Raposa.

AOS 19 anos de idade, fase em que o homem não costuma dar muitos exemplos de amadurecimento, o mineiro Tostão surpreende pela sua conduta reta, no plano esportivo e fora dêle, capitalizando simpatias e tornando-se ídolo e exemplo para a juventude que o aplaude nos estádios. E o segrêdo que o levou a uma posição em que muitos sonham chegar e dificilmente conseguem foi a simplicidade, que tem sido a tônica de todos os seus atos na vida.
EDUARDO Gonçalves Andrade, (êste o nome real do craque do Cruzeiro) desde cedo aprendeu a ver a vida com os olhos da simplicidade, recebendo tudo com humildade. Por isso, os elogios com que foi premiado depois que se destacou de maneira extraordinária nos juvenis do Cruzeiro jamais lhe subiram a cabeça. Ao contrário, acolheu-os como incentivo para continuar progredindo na carreira que escolhera para seguir.
DEPOIS que foi promovido ao time de cima do campeão mineiro, Tostão passou a ser assunto obrigatório no noticiário esportivo cotidiano, em Belo Horizonte. Não só os torcedores mais extremados do Cruzeiro, como também os observadores mais insuspeitos cumularam-no de elogios, considerando-o como um dos mais destacados jogadores do Brasil. Isso, porém, não foi motivo para que Tostão mudasse o seu modo de ser. Continuou o mesmo menino que jamais deixou de seguir a orientação paterna e que procurava tirar de cada elogio, de cada conselho, um ensinamento, um incentivo para melhorar.
QUANDO o seu nome foi premiado com a convocação para o escrete brasileiro – e tôda Minas Gerais se levantou, aplaudindo a medida da CBD e exigindo a sua ida a Inglaterra, não foram poucos os que pensaram que estava na hora de Tostão mudar alguma coisa. Êle, porém, continuou o mesmo. Como o mesmo continuou quando integrou o escrete brasileiro no jôgo contra a Hungria e marcou um gol que sacudiu a torcida e deu esperanças de classificação ao Brasil. Na volta, ao recebeu um Volkswagen de presente da torcida mineira, ainda não se abalou nem modificou o seu modo de ser. A simplicidade continuou marcando todos os seus atos, dentro e fora de campo.
MAS, além da simplicidade, Tostão é o que é (e disso êle nunca fêz segrêdo) porque só sabe fazer amigos, não se envergonha de pedir conselho aos mais experimentados, é combativo, acredita em Deus, reconhece os seus erros, acha que o amor é a mola da vida, leva uma vida comedida, não é de contar vantagem, sempre pautou os seus atos por uma disciplina rígida, respeita a todos para ser respeitado, faz o impossível para honrar sua palavra e sempre tem um gesto e um termo carinhoso para os que dêle se aproximam em busca de auxílio. Isto tudo somado à sua extraordinária e bendita simplicidade fêz o Tostão que todos admiram.

Está é a edição da Revista do Esporte 404, de 3 de dezembro de 1966, ou seja, edição de quatro dias antes do título inédito da Taça Brasil, conquistado em cima do Santos.[1]

Calçada da fama

Tostão grava pés na Calçada da Fama na Toca II

No dia 17 de dezembro de 2014 Tostão foi homenageado ao gravar os pés no Hall da fama na Toca II e dar o nome a sala da coordenação das categorias de base do Cruzeiro na Toca I. “É uma felicidade muito grande. Já fazia um bom tempo que eu estava para vir aqui. Estou muito feliz por conhecer a Toca, por receber tanta homenagem e emocionado por poder colocar meus pés ao lado de tantos outros grandes jogadores da história do Cruzeiro. Além disso, também tive o prazer de dar nome à sala do Raul Plasmann, na Toca I. Fiquei, realmente, muito contente por tudo isso e valeu a pena ter vindo”, disse. [2][3]

Números históricos

  • Tostão é o maior artilheiro da história do Cruzeiro com 245 gols.
  • É também o maior artilheiro do Clube na Seleção Brasileira com 36 gols.


Títulos

Individuais

Pela Seleção

  • Copa do Mundo: 1970


Artilharia

Pela Seleção

  • Eliminatórias da Copa do Mundo: 1970


Referências

  1. Tostão na Revista do Esporte de 1966 Guerreiro dos Gramados
  2. Maior artilheiro do Cruzeiro, Tostão entra para o hall da fama do Clube
  3. Depois de mais de 40 anos, Tostão volta a visitar a Toca da Raposa
  4. Rey da América
  5. Rei da Améria (Wikipedia)