Ipatinga 0x1 Cruzeiro - 02/04/2006

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Confrontos posteriores e anteriores
Por temporada
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Por Campeonato Mineiro
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No estádio Ipatingão
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Contra Ipatinga
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Escudo Betim.png
Ipatinga
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Cruzeiro
Jogo de volta - Final do Campeonato Mineiro 2006
Data: 2 de abril de 2006 Local: Ipatinga, MG
Horário: Não disponível Estádio: Ipatingão
Árbitro: Álvaro Azeredo Quelhas Público pagante: 18.487
Assistente 1: Público presente: Não disponível
Assistente 2: Renda: Não informado
Súmula: Súmula
Escalações
Ipatinga: Cruzeiro:
1. Rodrigo Posso 1. Fábio
2. Dênis 2. Jonathan Substituição realizada  de jogo ( Luizinho II Cartão amarelo recebido aos )
3. William Cartão amarelo recebido aos 3. Moisés
4. Teco 4. Edu Dracena Cartão amarelo recebido aos
5. Marinho Donizetti Cartão amarelo recebido aos 5. Júlio César Cartão amarelo recebido aos
6. Paulinho 6. Diogo Mucuri
7. Leandro Salino Substituição realizada  de jogo ( Jaílton Substituição realizada  de jogo ( Christian ) ) 7. Fábio Santos
8. Léo Medeiros 8. Leandro Bomfim
9. Walter Minhoca Substituição realizada  de jogo ( André ) 9. Wagner Gol aos  do Substituição realizada  de jogo ( Jonilson )
10. Camanducaia 10. Gil Ribeiro Cartão amarelo recebido aos
11. Diego Silva Silva 11. Élber Giovane Substituição realizada  de jogo ( Alecsandro )
Técnico: Ney Franco Técnico: Paulo César Gusmão
Reservas que não entraram na partida
Ipatinga: Cruzeiro:


Sobre o jogo

Ipatinga 0 x 1 Cruzeiro, decisão do Campeonato Mineiro, em 2 de abril de 2006, no Ipatingão.

Parecia jogo de futebol, mas era guerra. No sentido figurado, é claro. O Cruzeiro foi pra cima desde o início atacando pelo lado esquerdo. O Ipatinga revidou pela mesma faixa do campo. Mas trocou de lado. Conteve os avanços do lateral Dênis, que não estava conseguindo avançar e voltar para conter as investidas de Gil Ribeiro, Júlio César a Wagner em suas costas.

Essa troca de lado do Ipatinga, fez uma vítima na defesa cruzeirense. Aos 24 minutos, PC colocou Luizinho II no lugar de Jonathan, que não conseguia atacar, incomodado pelos avanços do excelente lateral-esquerdo Marinho Donizetti e pelos deslocamentos de Diego Silva Silva por aquele lado.

No meio de campo, Diogo Mucuri, em tarde de Douglas, além de criar dificuldades para Walter Júnio, conseguia passar bem a bola aos meias. Na defesa, que Dracena chefiava com autoridade, Moisés isolava qq bola que lhe parecesse minimamente perigosa.

No meio de campo, Fábio Santos se impunha com raça, Bomfim com toques e Wagner com muita luta. No comando do ataque, Élber Giovane foi um leão. Por tudo isso, o goleiro Fábio pode assistir, tranqüilamente, o primeiro tempo.

O Ipatinga, porém, não se apequenou. Encarou o Cruzeiro como pode. Mas acabou levando o gol, para ele fatal, aos 46 minutos, após seu goleiro Rodrigo Posso ter evitado dois gols certos de Élber Giovane. Duas defesas para o Brasil inteiro curtir se as emissoras de TV se dessem ao trabalho de cobrir decentemente o Campeoanto Mineiro.

Se a guerra do primeiro tempo foi de artilharia – cntra o arco do Ipatinga, principalmente -, a do segundo foi de infantaria. O Ipatinga tomou conta do campo do Cruzeiro obrigando o time celeste a se desdobrar para defender cada centímetro de seu campo.

O Ipatinga esteve perto de marcar por duas vezes: num pênalti discutível numa dividida entre Moisés e Camanducaia (terá sido mesmo? o juiz-comentarista bicamepão brasileiro garantiu que foi) que o Sr. Quelhas não marcou. E numa bola, que resultaria fatalmente em gol se o zagueiro Teco não a dominasse com o braço na pequena área antes de Diego Silva Silva atirá-la para as redes. Por outro lado, Élber Giovane não pode decidir o jogo logo no início da segunda etapa, quando tinha o gol à sua frente, por um impedimento mal apitado.

Nessa etapa, o Cruzeiro só foi à frente em contra-ataques que, invariavelmente desperdiçados por Luizinho II. Faltou o toque de craque ao lateral cruzeirense. Às vezes, ele prendia a bola até perdê-la, outras cruzava mal. E assim, o Cruzeiro deperdiçou o corredor que o Ipatinga oferceu por seu lado esquerdo.

Outro problema a impedir a concretização dos contra-ataques celestes foi o péssimo estado do gramado, principalmente entre as intermediárias - bolas rasteiras tinham rumo incerto e levantavam poeira, ou melhor, areia onde devia haver apenas relva - impedindo Alecsandro e Bonfim de definir o jogo em bolas que receberam de frente para o gol do Tigre.

Mas o pior momento da etapa final foi a saída do esgotado lutador Wagner. Ele vinha cumprindo jornada irrepreensível na marcação e nos lançamentos para os contra-ataques. Jonílson entrou para marcar e ajudou a fechar ainda mais a defesa.

Quanto a nós, arquibaldos, pouco podíamos fazer além de rezar. Nossa torcida, 90% da região, um pouco destreinada, não conhecia as manhas dos grandes jogos. Sem saber os refrões, gritos de guerra e canções que embalam o time do Mineirão, restou-lhe oferecer um belo espetáculo com suas bandeiras e camisas que coloriram metade do estádio. As camisas que impuseram respeito ao atrevido adversário de 88 horas antes.

No final da partida, sem poder conter a emoção e sem serem contidos por um policiamento escasso, centenas de torcedores invadiram o gramado, arrebataram o troféu, e deram uma volta olímpica exibindo-o aos 12 mil cruzeirenses que permaneciam na arquibancada curtindo o momento de rara felicidade de assistir a uma decisão do Campeoanto Mineiro jogada no interior.

E foi aí que a estupidez dos policiais deu o tom de guerra pra valer. Sem qualquer preparo, um pelotão chamado às pressas, invadiu a cancha para espancar, soltar os cachorros e empurrar torcedores fosso abaixo.

O saldo do que deveria ser apenas uma guerra – simbólica – de futebol, foi de gente com pernas, cabeças e costelas quebradas – como se estivéssemos numa guerra pra valer. Um desrespeito a ser punido pelo Comando da Polícia Militar. E a ser execrado por quem acredita que a missão do policial é defender e não agredir a quem lhe paga os soldos. Gente que trabalha muito, recebe salários irrisórios dos quais ainda tira parte, na forma de impostos, para sustentar a corporação. A PMMG, de história respeitável, ontem, ficou muito mal aos olhos de milhares de torcedores por culpa da truculência de alguns de seus soldados no Vale do Aço.

Voltando ao futebol: embora os dois times tenham terminado o campeonato com a mesma pontuação, deve se reconhecer que o Tigre foi mais time nos 14 jogos anteriores à deicisão. Só que, na hora de decidir, venceu quem vestiu a campeoníssima camisa azul-estrelada. Questão de história!

Atuações

  • Fábio defendeu uma bola difícil e foi parceiro do poste em outra.
  • Jonathan foi sacado antes do primeiro quarto do jogo. Não teve tempo de encontrar uma solução para neutralizar as combinações do Marinho Donizetti e do Diego Silva Silva pelo seu setor e conseguir atacar. Não comprometeu defensivamente.
  • Luizinho II atacou muito, mas não teve inspiração para definir o que fazer com a bola na hora de concluir sua parte nos contra-ataques.
  • Moisés foi o limpa-trilhos da decisão.
  • Edu Dracena um dos melhores do jogo. E o melhor do campeonato.
  • Júlio César fez o cruzamento mais importante de sua carreira, o do gol do título.
  • Diogo Mucuri lembrou Douglas. Poderia haver maior elogio?
  • Fábio Santos supriu com raça a falta de qualidade técnica. Ainda não recuperou o bom futebol do ano passado e nem perdeu a mania de se meter em encrencas.
  • Leandro Bomfim, malemolente, às vezes irrita pela lentidão. Mas sabe passar com qualidade o que, em último caso, é o mais importante pra quem joga no meio de campo.
  • Wagner era melhor do time até sair exausto. Fez gol do título o que vale lugar na história do clube.
  • Jonílson entrou pra trancar o meio de campo. E trancou.
  • Élber Giovane foi um leão. Rodrigo Posso não permitiu, por duas vezes, que ele quebrasse o jejum de gols que já dura cinco rodadas. Mas como ajudou a marcar o gol do título, entra também pra história deste campeonato.
  • Gil Ribeiro jogou como se fosse a partida mais importante de sua carreira. Atacou, defendeu, prendeu a bola. Dividiu com Mucuri, Dracena e Posso as honras de “melhor do jogo”.
  • Alecsandro não comprometeu, embora tenha perdido duas oportunidades de definir o jogo. PC teria feito melhor se escalasse o Diego Silva, mais veloz, mais ágil, mais lutador.
  • PC Gusmão queimou uma substuição muito cedo ao trocar Jonathan por Luizinho II. Errou ao trocar Élber Giovane por Alecsandro e não por Diego Silva. Mas armou um time equilibrado e não ficou esperando o segundo tempo pra resolver o jogo. Tentou intimidar o Ipatinga atacando desde o início e se deu bem. Ao trancar o meio de campo no segundo tempo, embora tenha deixado muito torcedor à beira de um ataque cardíaco por quase que abdicar do ataque, consolidou a vitória.
  • Zezé Perrella deu um passeio – sentimental ou eleitoral? -, de muletas, pela orla do gramado antes do início da partida. Foi apaludido, com intensidade crescente, à medida em que ia da galera genérica para a Máfia Azul. No final, deu as estocadas de praxe nos emplumados.
  • Máfia Azul fez sua parte, mas não encontrou eco no restante da torcida pouco acostumada às cantorias do Mineirão. No final, até seu bandeirão invadiu o estádio e foi seqüestrado pela despreparada PM local. O maestro Fubá, na ausência de jogadores no pódio, tomou o troféu e o levou à torcida que permanecia na arquibancada. A cena lembrou-me uma frase do Hans, alemão que trabalhou num programa de urbanização de favelas de Belo Horizonte, duas décadas atrás, diante das seguidas pegadinhas que nosso jeitinho lhe pregava: “Isso aqui é um baita esculhamabaçom!”
  • Polícia Militar – Deu vexame. Durante o jogo, manteve dois soldados e um cachorro para impedir invasões de campo. Depois de consumada a invasão por centenas de pacíficos torcedores, mandou buscar reforços que chegaram agredindo e avacalhando de vez a festa.
  • SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - trabalhou para salvar as diversas vítimas da violência policial. E saiu-se bem.
  • BR 262, em obras, tem vários pontos de alto risco para a vida dos motoristas. Próximo a Caeté, a falta de sinalização – uma constante em quase todo o persurso – provoca entradas de veículos na contra-mão. Espero que, para a primeira partida da final de 2007, a torcida do Cruzeiro viaje com mais segurança ao Vale do Aço.
  • Sr. Quelhas foi o juiz ruim de sempre. Mas nem quero mais falar mais dele. Por ora, com o Cruzeiro disputando a Copa do Brasil e o Brasileiro, ele deve ficar distante.
  • Torcida do Ipatinga – Nunca esteve tão grande. Metade das arquibancadas, um pouquinho mais, talvez. E também nunca esteve com o coração tão dividido. No final, vários torcedores vestidos de verde por fora entraram no gramado para comemorar o título do seu primeiro time.
  • Administração do Ipatingão – Deixa um enorme espaço vazio para uns tais veículos credenciados que nunca chegam e obriga muita gente a estacionar longe submetendo-se a flanelinhas que cobram entre 3 e 8 reais para “olhar” os carros. Repórteres informaram que a carteirada comeu solta na entrada principal do estádio. Havia, no mínimo, 4 mil torcedores a mais do que o público anunciado. E o gramado estava levantando poeira em bola rasteira. Uma decepção para quem tem o Epaminondas M. Brito como o terceiro melhor estádio de Minas.
  • Nudista – A peladona da torcida do Ipatinga acertou em cheio ao se despir na arquibancada em frente às cabines. Errou, contudo, ao não democratizar seus dotes naturais invadindo o gramado. Até aquele momento, a PM ainda não se dera conta de que, em jogos decisivos, há grande probabilidade de ocorrerem invasões de campo. Estava fácil pular o fosso. Ajuda é que não faltaria se ela quisesse. E considerando que todos pagamos o mesmo preço pelo ingresso não foi justa sua decisão de se vestir novamente sem dar uma geral para todo o estádio. Ficou devendo.
  • Time do Ipatinga – Um timaço capaz de vencer qualquer adversário, menos uma camisa azul-estrelada em tarde de superação. Rodrigo Posso foi espetacular salvando três gols certos. William e Teco, perfeitos, seguraram a onda, no mano-a-mano contra os atacantes do Cruzeiro, quando o Tigre atacou em massa no segundo tempo. Marinho Donizetti e Dênis são ótimos laterais. Paulinho já atingiu o estágio da completa estabilidade. Joga sempre bem. Walter e Medeiros, muito marcados, ficaram devendo. Camanduacaia e Diego Silva Silva bem que tentaram, mas em tarde e Dracena e Moisés inspirados tiveram poucos espaços. Ney Franco já está aprovado. O Ipatinga já lhe deu régua e compasso. Pode encarar qualquer desafio daqui pra frente.
  • Raposão e Tigrão & Tigrim – Taí uma boa idéia dos marqueteiros dos clubes. Os mascotes fizeram a festa de crianças e marmanjos no Ipatingão. O Raposão trabalhou mais. Continuou agitando a massa depois do jogo quando os felinos do vale sairam de campo carregando o fardo do vice-campeonato.

Vídeos

Melhores momentos
Gol por Emerson Rodrigues

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Fonte